Verão, Sol e Câncer de Pele

O que você precisa saber antes de se expor ao sol

Por Dra. Vanessa Mussupappo, dermatologista

O verão está chegando, e com ele, os dias mais longos, o calor e a vontade de aproveitar o sol. Mas essa época do ano também exige atenção redobrada com a pele. O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum no Brasil, e o principal fator de risco é justamente a exposição solar sem proteção.

Existem diferentes tipos de câncer de pele, e conhecê-los é o primeiro passo para a prevenção. O carcinoma basocelular é o mais frequente e, embora cresça lentamente e raramente se espalhe, pode causar grandes danos se não for tratado a tempo. O carcinoma espinocelular, por sua vez, tem maior potencial de invasão e metástase, exigindo diagnóstico rápido. Já o melanoma é o tipo mais agressivo — representa apenas uma pequena parte dos casos, mas é o que mais preocupa devido ao risco de disseminação para outros órgãos.

A boa notícia é que a maioria dos casos pode ser curada quando identificada precocemente. Por isso, observar a própria pele é essencial. Pintas que mudam de cor, formato, tamanho ou que começam a coçar e sangrar devem ser avaliadas por um dermatologista. O exame de dermatoscopia digital é uma das ferramentas mais modernas para esse acompanhamento, permitindo o registro de imagens ampliadas das lesões e o monitoramento ao longo do tempo. Isso aumenta a precisão no diagnóstico e evita biópsias desnecessárias.

Quando o diagnóstico de câncer de pele é confirmado, o tratamento depende do tipo, tamanho e localização da lesão. Nos casos mais complexos, especialmente em áreas delicadas como rosto, nariz ou orelhas, o procedimento mais indicado é a cirurgia micrográfica de Mohs. Essa técnica permite remover o tumor com o máximo de preservação da pele saudável, garantindo o melhor resultado estético e a menor chance de recidiva. Durante a cirurgia, o tecido é analisado pelo próprio cirurgião dermatologista camada por camada, até que se tenha certeza de que todas as células cancerígenas foram retiradas.

A prevenção, no entanto, continua sendo o melhor tratamento. O uso diário de protetor solar com FPS 30 ou mais, reaplicado a cada duas horas, é fundamental — mesmo em dias nublados. Chapéus, óculos escuros e roupas com proteção UV também ajudam a proteger as áreas mais expostas. E, claro, evite o sol entre 10h e 16h, quando a radiação é mais intensa.

Cuidar da pele é cuidar da saúde. No próximo verão, aproveite o sol com consciência. Um simples hábito diário de proteção pode evitar doenças graves e garantir muitos verões tranquilos pela frente.


Dra. Vanessa Mussupappo
Dermatologista especialista em câncer de pele, Cirurgia Micrográfica de Mohs e Dermatoscopia Digital.
É membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD) e Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM).

Confira o episódio completo da entrevista com a Dra Vanessa Mussupappo:

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