Por Dr. Bruno Paraventi
Quando falamos sobre envelhecimento, é comum pensar nas rugas, nos cabelos brancos ou na perda de força física. Pouca gente lembra que a boca também envelhece. E ela tem um papel muito maior do que parece. A saúde bucal influencia a maneira como comemos, falamos, sorrimos e até como nos sentimos em relação a nós mesmos.
Durante muito tempo, perder os dentes era quase um símbolo da velhice. A dentadura fazia parte da rotina de quem chegava à terceira idade. Hoje, felizmente, essa história mudou. A odontologia evoluiu e trouxe soluções mais seguras e naturais. Implantes, próteses personalizadas e cirurgias minimamente invasivas permitem que o paciente mantenha a mastigação eficiente, a fala clara e o contorno facial preservado. Tudo isso contribui para uma vida com mais autonomia e bem-estar.
Mas o impacto da saúde bucal vai além do sorriso. Diversos estudos mostram que a mastigação está ligada à atividade cerebral. Quando mastigamos bem, estimulamos o fluxo sanguíneo no cérebro e ajudamos a manter as conexões neurais relacionadas à memória e à cognição. Já as doenças de gengivas podem agravar doenças como Alzheimer e demência devido a citocinas produzidas por bactérias específicas destas patologias.
Também existe o lado emocional. O idoso de hoje é ativo, trabalha, viaja, pratica esportes e quer se sentir bem com a própria imagem. Um sorriso saudável traz confiança e melhora a disposição para conviver e se comunicar. Sorrir sem medo é, em muitos sentidos, uma forma de manter a juventude.
Claro que o passar do tempo traz desafios. A boca seca (ou xerostomia) é um dos mais comuns e pode ser agravada pelo uso de vários medicamentos. Esse ressecamento afeta o conforto, favorece o aparecimento de cáries e até infecções. Por isso, o acompanhamento regular com o dentista é fundamental. Cada detalhe importa, desde a escovação até a escolha dos produtos usados no dia a dia.
Estamos vivendo mais, e a odontologia precisa acompanhar esse novo perfil de paciente. Envelhecer não significa aceitar limitações, mas aprender a cuidar melhor de si mesmo. Cuidar dos dentes é cuidar da alimentação, da fala, da estética e da dignidade.
Eu costumo dizer que devemos cuidar do corpo, e também da boca, como se fôssemos viver 200 anos. Porque cada refeição saboreada com prazer, cada palavra dita com clareza e cada sorriso compartilhado são formas de celebrar a vida. E viver bem, no fim das contas, é isso: continuar sorrindo com saúde e confiança em todas as fases da vida.
Dr. Bruno Paraventi
Cirurgião-dentista, mestre em Odontologia.
Especialista em implantes, cirurgia plástica periodontal e periimplantar. Professor nas áreas de prótese e cirurgia plástica periodontal.
Confira o episódio do DocNoPod sobre envelhecimento saudável da boca e dos dentes, com o Dr Bruno Paraventi:










